domingo, 19 de novembro de 2017

Crítica: Ayrton Senna, o Musical

Foto: Caio Gallucci

Por Renato Mello
botequimcultural.com.br

Anunciado aos 4 ventos com toda pompa e circunstância, o musical sobre a vida de um dos maiores ídolos brasileiros, sob tutela da Aventura Entretenimento, recebeu seus contornos definitivos que já podem ser assistidos no Teatro Riachuelo numa temporada prevista até o dia 4 de fevereiro.

Propor-se a contar a história de Ayrton Senna requer de antemão uma propensão ao equilibrismo diante das restrições que existem para retratar algumas particularidades de sua vida e nesse sentido a busca por aspectos mais etéreos e oníricos evitaria maiores turbulências. Talvez por isso mesmo “Ayrton Senna, o Musical”, segundo a própria declaração de princípios da Aventura Entretenimento, busca “realizar um musical diferente: um espetáculo atemporal, misturando canto, dança, interpretação e circo”, ou como se auto intitula, um espetáculo “multidisciplinar”.

“Ayrton Senna, o Musical” demonstra todo o potencial de arrebanhar lotações devido aos apelos emocionais que o projeto já carrega em suas linhas essenciais, o que justamente parece ser o destino almejado e não existe nada de errado nisso. Mas dentro de uma maior amplitude de ambições, algo essencial para quem trata com manifestações de ordem estética, feita por percepções e ideias objetivando o estímulo da consciência, entendo que o espetáculo não encontrou um bom tratamento artístico, pelo contrário, apresenta um resultado final deficiente.

Quando se anunciou a equipe técnica tive a impressão de ter lido que Cristiano Gualda seria responsável pelo texto e Claudio Lins pela criação musical, mas no programa do espetáculo essa separação não fica clara, com ambos dividindo os créditos pelas funções. Apesar do respeito artístico que nutro tanto por Gualda quanto por Lins(responsável por uma das mais interessantes criações teatrais de 2015 quando musicou brilhantemente o clássico de Nelson Rodrigues “O Beijo no Asfalto”), sou obrigado a apontar sérios problemas dramatúrgicos e limitações musicais que impedem em grande parte a proposta de seguir adiante.

A proposta dramatúrgica explora 2 tempos cênicos que se intercalam ao longo da representação, abordando aspectos de vida e experiências distintas através dos personagens Beco(apelido familiar de Senna) e Ayrton, objetivando o entendimento amplo de como se moldou seu espectro mítico. Beco(interpretado por João Vitor Silva), um hiato na sua carreira que  de fato aconteceu, trabalhando nos negócios da família, quando o texto busca o Ayrton Senna antes da fama e da consagração. Porém desde os primeiros movimentos já se prevê aonde vai dar essa trajetória, com um desfecho previsível e que de fato não surpreende, com interseções desnecessárias que nada acrescentam na formação do personagem. Ayrton(Hugo Bonemer), confronta-se com seus contrastes e conflitos interiores, a força mental, a insegurança, desafios e rivalidades, mas que carecem de uma maior força dramática, optando por soluções que tiram o foco do personagem, ressaltando-se uma interessante criação no aproximar do momento derradeiro.

Em teatro musical a questão dramatúrgica muitas vezes é elevada à aspectos mais fugazes ao submergir-se pelo alcance prolongado das ondas melódicas, que no caso de “Ayrton Senna, o Musical” acaba agravando a fenda narrativa justamente pela carência de uma personalidade musical mais aguda, com canções que se mostram despojadas de uma maior capacidade empática. É preciso atenuar algo da exposição que faço de letras soltas, descoladas do contexto dramático e da composição cênica, mas chama a atenção o tratamento desprovido de uma maior aptidão poética para o que talvez tenha sido o mais épico embate da história da Fórmula 1, entre Senna e Prost, que entendo ser merecedor de versos mais elaborados do que:

Prost:
Ele tem uma carinha/De bonzinho/Mas na hora da corrida/Te atropela feito um trem/Ele não tá nem aí se você vai se machucar/É o meu rival
.
Senna:
Ele pensa que é meu mestre/Mas na pista é o aprendiz/Quer o meu lugar no pódio/Mas tá sempre por um triz/Ele vai fazer de tudo pra te desclassificar/É o meu rival
A questão se repete em outros momentos, como a mero título de exemplo um refrão que se limita a “Nas ladeiras do Tremembé/Nas ladeiras do Tremembé/Nas ladeiras do Tremembé/Nas ladeiras do Tremembé…”

O melhor momento de qualidade musical e que encontrou uma apropriada ressonância cênica ocorre na execução de “Medo”, em que deixa no ar o lamento por um resultado potencialmente melhor que foi desperdiçado para o espetáculo como um todo, visto o vigor melódico e a boa letra: “…Em cada curva/cada esquina/Eu to sempre lá, como uma prima distante/Uma amante perdida/Uma amiga de infância, esquecida/Te lembrando todo medo dessa vida”.

Importante ressaltar a direção musical e arranjos de Felipe Habib, demonstrando capacidade, em parte, de atenuar os problemas expansivos das canções, com uma orquestração bastante eficiente.

Por seu trabalho junto da Intrépida Trupe, Nós do Morro e diversos projetos na Europa, Renato Rocha de certa forma surge com boas credenciais para levantar a formatação e o conteúdo cênico, dentro do que propõe a Aventura Entretenimento. Mas é justamente a proposta original que não consegue desembarcar o espetáculo a um nível mais ousado do ponto de vista artístico, evitando um aprofundamento das ações e motivações, com opções cênicas que diluem a força narrativa, seja por patinadores com luzes de neon circundando os personagens, bambolês ou acrobacias em excesso, que em determinados momentos perpassam a busca por um prazer estético que se revela na verdade estéril. Me incomoda sobremaneira a busca pela emoção forçada, quando isso deveria ocorrer através de caminhos sutis para atingir o inconsciente afetivo do espectador, não pelo rumar da pieguice, explicitada na cena final ao som do “Tema da Vitória”.

Diante dos problemas elencados, Hugo Bonemer não encontra um aprofundamento justamente quando o personagem pede um adensamento sentimental, ficando o ator restrito às poucas possibilidades dramáticas e com limitações inclusive nos movimentos cênicos propostos, algo a se lamentar em virtude de ser um ator de enorme capacidade, como pôde ser bem apreciado no seu desempenho recente em “Yank”. Apesar de uma narrativa mais rasteira(talvez até mesmo por isso), João Vitor Silva tem melhor sorte até porque seu personagem não pede uma maior interiorização, mas o ator percorre uma linha de atuação coerente. Um destaque é preciso ser dado a Victor Maia, sem dúvida um dos mais interessantes atores do cenário musical do Rio de Janeiro, com boa presença física, corporal e bastante domínio no seu processo de composição. Apesar de uma carência no delineamento dos demais personagens, Kiko do Valle, Lana Rhodes, Leonardo Senna e Ivan Vellame apresentam-se com correção. Lucas Vasconcelos e Pepê Santos revezam-se nas apresentações do personagem mirim Wandson, Estrela Blanco apresenta-se em papeis inferiores à sua capacidade, completando o elenco com Laura Braga, Adam Lee, Bruno Carneiro, Douglas Cantudo, Marcelinton Lima, Marcella Collares, Natasha Jascalevich, Olavo Rocha, João Canedo, Juliano Alvarenga, Larine Barros, Paula Raia e Will Anderson.

Os figurinos de Dudu Bertholini trabalham de maneira coerente com o universo desenhado cenicamente, na estilização dos macacões, assim como absorve questões inerentes à proposta(goste-se ou não dela) para atuar como um elemento colaborativo com a construção da direção de Renato Rocha. Os cenários de Gringo Cardia conseguem dimensionar com adequação às ações e intenções narrativas, compondo um espaço físico em que o corpo dos atores e os objetos cenográficos interagem harmonicamente. A iluminação de Renato Machado busca contribuir de maneira incisiva o preenchimento narrativo, tendo papel correto dentro das perspectivas apresentadas.

“Ayrton Senna, O Musical” apresenta um encontro de alguns representativos criadores da arte nacional de diferentes segmentos, mas que não conseguiu levar a um bom termo final. Na indecisão se queria ser Cirque du Soleil ou teatro musical, acabou no meio do caminho, patinando entre ambas opções


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A família do Ayrton Senna corre da biografia dele como o diabo corre da cruz.

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"A biografia de Ayrton Senna é um território muito delicado", Renato Rocha, diretor de Ayrton Senna, O Musical.

Renato Rocha explica porque o musical sobre Ayrton Senna não é biográfico.

RedeTV! - Programa Leitura Dinâmica - 14/11/2017

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Esse diretor do musical, Renato Rocha, omitiu o real motivo de não contarem a verdadeira história do Ayrton na peça, até porque ele tem negado interferências da família quanto a realização do projeto, quando na realidade sabemos que eles interferiram e muito, pois não sai nada sobre o Ayrton sem o aval deles. O motivo é devido a todo o mal que a família do Ayrton fez para ele e Adriane Galisteu. Então eles decidiram contar a história do piloto de uma forma fantasiosa, sem compromisso com a realidade.

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FONTE PESQUISADA

MELLO, Renato. Crítica: Ayrton Senna, o Musical. Disponível em: <http://botequimcultural.com.br/critica-ayrton-senna-o-musical/>. Acesso em: 19 de novembro 2017.



sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Musical Sobre Ayrton Senna é um Horror e Feito por Quem não Conhece o Mundo a F1

Minhas suspeitas se confirmaram: mandaram um jornalista especializado em automobilismo pro tal musical do Senna e é muito ruim. E quanto a vida pessoal do Ayrton, pelo que tenho lido, também deixou muito a desejar. 

Musical de Senna anda deixando o mundo do automobilismo perplexo

No GP às 10 desta sexta-feira (17), Flavio Gomes comenta 'Ayrton Senna, o musical'. O jornalista, que teve acesso às letras das músicas que fazem parte do espetáculo, criticou a “pobreza intelectual” apresentada e disse que não dá para engolir algumas homenagens ao grande piloto que foi o brasileiro, tricampeão mundial de F1

17/11/2017 10:00
Grande Prêmio - grandepremio.uol.com.br


Uma das atrações culturais do mês de novembro na região Sudeste é 'Ayrton Senna, o musical', que estreou na última semana no Rio de Janeiro. O espetáculo, estrelado por Hugo Bonemer, retrata de forma romantizada a trajetória do tricampeão mundial de F1. No GP às 10 desta sexta-feira (17), Flavio Gomes critica a peça teatral ao analisar as letras das músicas que fazem parte do espetáculo. “Um horror”, opinou o jornalista, que ponderou também que a peça foi feita por pessoas que não entendem o que é o mundo da F1. Gomes disse também que não dá para engolir algumas homenagens ao enorme piloto que foi o brasileiro.

O 'GP às 10' é a série que traz um comentário em vídeo dos jornalistas do GRANDE PRÊMIO e convidados especiais, sempre às 10h, do dia e da noite.





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Bem tosco mesmo! Cafona! Uma coisa é certa: Ayrton Senna ficaria muito brabo com esse musical. 

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COMENTÁRIOS NO VÍDEO "MUSICAL SOBRE AYRTON SENNA É UM HORROR" DO CANAL GRANDE PRÊMIO

alfisico Mais uma tentativa patética daquela irmã do Senna - que se apossou da imagem dele - de fazer do Senna uma figura mitológica e pura... um santo que veio a terra pra agraciar o mundo com sua imagem e  mostrar que o Brasil é o país que Deus escolheu pra abençoar e que o brasileiro é maior e melhor do que todo o resto do mundo... que só aqui no Brasil poderia surgir uma divindade igual ao Senna... começou ainda em vida com a globo... e agora depois de sua morte continua com sua família

Rodrigo Vicente Senna é, foi e sempre será um grande gerador de receita. Tudo em nome do Instituto [Ayrton Senna]. Mas é cada papagaiada...

Ana Carolina Barreto Alves Essa família do Senna é muito mercenária! Só pensa em dinheiro


Vinícius Pontin da Silva Encerrando, isso nem é devoção ao Senna. É só mais uma tentativa de arrancar dinheiro usando o legado do cara.

Sennas são de Marte e Prosts são de Vênus

Crepúsculo ft Ayrton Senna & Alain Prost


Fernando A. Soares Concordo com Fávio a respeito da mitificação de Senna e de outros "ídolos". Esse exagero pode agradar aos que lucram $$$ com a imagem do cara, mas é de uma pobreza de espírito monumental.

Alessandro Cunha Coitado do Senna deve estar virando no caixão igual a um frango de padaria....que blasfêmia.

Marcelo Spacachieri Masili Aguardando "Carinha de Neném" versão carnaval 2018 nos trios elétricos desse meu Brasil!

Cleyton Silva Tenho certeza que este bando de filho da p**a usaram dinheiro da Lei Rouanet! Por que uma m***a desta não se paga sozinha.

Gabriel Junior Se o Musical do Senna e Horrível Imagine Se Fosse do Rubinho kkkkkkkkkkkkkkkkk

Ítalo Holanda Que m***a kkkkkkkkkk

Robson Leandro da Silva Flávio [Gomes], concordo mas faço só uma observação: a maratonista que chegou se arrastando nos jogos Olímpicos de 1984 foi Gabirlle Andersen. E na real ela própria rejeita o título de heroína porque reconhece que jamais deveria ter chegado daquela forma colocando sua vida em risco. No meio do atletismo ela também não é vista assim e foi muito criticada.

Junior Alves Concordo demais, foi grande piloto, muito rápido e valente, mas  só isso, o termo Heroi não condiz com os feitos na pista.

Egon Jr. Kniggendorf Dá vergonha até mesmo de ouvir...

hcostareis Eu tenho uma vergonha do c*****o com musicais, seja lá qual for.

Hildegardo Drummond Flávio; Foi bom você ter dito isso. Se passar aqui em Salvador, não vou nem que me paguem! Abraços.

Tio Duh Eu até ia defender antes de ver o vídeo e a letra recitada pelo FG... #BONZINHODENENÉM

Doan Bregantino Senna era um ET e eu não sabia. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Tassilo Vinicius Sabias palavras FG.  E isso tudo é coisa da Globo, que não deixa o cara descansar em paz.

ES_Racer Chegaram pra crianças da 6ª série e falaram: façam uma poesia sobre Ayrton Senna... elas fizeram, e algum produtor pegou isto e resolveu fazer um musical...

Rodrigo Silva Flávio, mais uma vez peço que nos atualize sobre as informações de um possível filme do Senna.

Sergio Sena Se a letra fosse em inglês soaria melhor.
Parecem aquelas traduções livres.

Renan Gomesk Não faz diferença Inglês ou Português. É música infantil de qualquer forma.


Vinícius Pontin da Silva Tradução de intro de anime


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CRÍTICA: AYRTON SENNA – O MUSICAL

LEONARDO TORRES   17/11/2017
Teatro em Cena - teatroemcena.com.br

Todo mundo tem alguma memória com Ayrton Senna – mesmo os nascidos mais recentemente, muito depois da morte do piloto tricampeão mundial de Fórmula 1. O ídolo nacional (também chamado de “herói”) morreu em 1994, mas é lembrado e referenciado até hoje. Em 2010, o documentário “Senna”, dirigido pelo britânico Asif Kapadia, fez sucesso no mundo inteiro, cotado até para o Oscar. Em 2014, a escola de samba Unidos da Tijuca homenageou o piloto e garantiu seu tetracampeonato no Carnaval do Rio. Agora, em 2017, ele é tema de musical teatral. Com Hugo Bonemer (de “Yank! O Musical”) no papel principal, “Ayrton Senna – O Musical” é um daqueles projetos que já nascem com grande potencial de público. Mexe com o afeto e a nostalgia do espectador antes mesmo de abrir as cortinas – e literalmente, porque há uma réplica do capacete usado por ele na escuderia McLaren no hall de entrada do teatro, por exemplo.


(Foto: Caio Gallucci)

Uma pergunta, no entanto, é inevitável: por que homenagear Ayrton em formato de musical? A montagem não responde essa questão convincentemente. Ele não tinha nenhum vínculo com música (fora o namoro com Xuxa, maior vendedora de discos dos anos 80 e 90 – mas ignorada pelo espetáculo, assim como Adriane Galisteu). O musical teatral, contudo, tem seu valor pela coragem: ninguém pode dizer que a produtora não se arriscou desta vez. Por trás de “Ayrton Senna – O Musical”, está a Aventura Entretenimento, que fez sucesso contando as histórias de Elis Regina e Chacrinha em biografias musicais. É um formato bem sucedido. Mas o do Ayrton dribla a fórmula – tanto no texto de Claudio Lins (de “O Beijo no Asfalto – O Musical”) e Cristiano Gualda (ator de “Bem Sertanejo”) quanto na direção de Renato Rocha (de “Antes Que Tudo Acabe”). Não quero dizer que deu certo, de forma alguma, mas o atrevimento do risco em uma superprodução como essa é, sim, admirável e merece algum crédito.

O roteiro do musical é não-linear e ficcional, ainda que inspirado em fatos reais. Ele se passa durante a última corrida de Ayrton, aquela que o levou à morte na Itália, e mostra para o público como é estar dentro de uma cabine de pilotagem (o “cockpit”). O texto deixa bastante a desejar para o espectador que vai ao teatro com intuito de repassar a história de Ayrton, pois está muito distante do ideal biográfico. Fragmentado, com idas e vindas no tempo e aparentemente duas histórias simultâneas, é confuso durante todo o primeiro ato, esclarecendo conexões no segundo – para quem ainda não havia entendido. Toda a trama se passa no inconsciente do piloto. A realização dessa proposta no palco é a grande questão – negativa. O que Renato Rocha faz é algo como “Ayrton Senna meets País das Maravilhas”, excedendo o aspecto onírico, alucinado e lúdico proposto pela dramaturgia. Ao tentar reproduzir o respírito de uma corrida de Fórmula 1 no palco, o diretor foca no caráter da velocidade e abusa da metáfora de que Ayrton voava na pista. O elenco de 23 artistas passa grande parte do espetáculo, de fato, voando: no início, é interessante e quase impressionante, mas não tarda a ficar repetitivo e, principalmente, gratuito. O que era para ser um artifício engrandecedor acaba por limitar várias cenas. Isso é evidenciado logo no começo, quando Ayrton conversa com os pais e Hugo Bonemer está suspenso por cordas. Ou quando uma corrida de táxi é retratada com os personagens erguido por cordas. Tudo é possível, mas não plausível. Renato também propõe um intercâmbio integrado de linguagens entre teatro musical e circo, com acrobatas e grande valorização da técnica circense para composição das cenas. O coach Rodolfo Rangel, que já trabalhou no Cirque du Soleil, imprime muito sua marca com o espaço aberto pela direção. O resultado, no meio entre o circo e o musical, não alcança excelência em nenhuma das vertentes. No geral, é apenas poluído.

Gringo Cardia assina os cenários – sempre algo importante nessas superproduções. São grandiosos, com painel de LED, andares, as vezes realistas e as vezes conceituais, e muito bem articulados com as artimanhas de cada cena. Um dos pontos altos do espetáculo é o da canção “Medo”, a primeira boa depois de cinco números musicais bem irrisiórios. A produção coloca uma roda em tamanho gigante no palco, os atores sobem e descem aquilo, se penduram, executam uma coreografia de proporções gigantescas (de Lavinia Bizzotto), e a contorcionista Natasha Jascalevich (de “S’imbora, o Musical – A História de Wilson Simonal”) faz seu trabalho enquanto canta lindamente. Em um espetáculo que busca impressionar a todo instante, essa é uma cena que deveras entretém. Mas as cordas aparecendo penduradas no teto da boca de cena, desde o começo, denotam pouca preocupação final com detalhes. Já os figurinos são assinados pelo badalado estilista Dudu Bertholini, conhecido pelo papel de comentarista do programa “Amor & Sexo”. A imagem que fica do espetáculo são os macacões dos pilotos, mas há de tudo um pouco, incluindo figurinos com luzes de neon impactantes mas avulsos, macacões e capacetes prateados e brilhosos, patins e guarda-chuvas de led. Extravagância dá o tom. A iluminação (de Renato Machado) traça momentos espetaculares no musical, mas com erros de direção, como atores passando na frente de focos de luz no fundo palco, atrapalhando os grandiosos efeitos proporcionados. Tudo isso reforça o aspecto “Alice no País das Maravilhas”.

(Foto: Caio Gallucci)

Quanto ao aspecto musical, indicado no título do espetáculo, deixa a desejar. As canções escritas por Claudio e Cristiano, no geral, não agregam à dramaturgia. Cada uma ilustra um tema: “Invencível”, “Vida de Piloto”, “Números”, “Liberdade”, “Medo”, “Grana”, “Herói Impune”, “Chuva”, “Bala na Esquina”, “Noivas do Tempo”, “Meu Rival”, “Liberdade”, “O Meu Lugar”, “Tudo Ou Nada” e “Ladeiras do Tremembé”. Poderia citar várias composições toscas (as letras estão impressas no programa do espetáculo, o que é legal), mas fico com “Meu Rival”, que começa assim: “ele tem uma carinha / de bonzinho, de neném / mas na hora da corrida / te atropela feito um trem / ele não tá nem aí se você vai se machucar / é o meu rival”. É a canção que deveria ilustrar a rivalidade com Alain Prost, tetra campeão mundial. Alguns versos também extrapolam descaradamente a métrica das melodias, tornando ainda mais difícil a compreensão: a qualidade do som, principalmente na primeira parte da apresentação, não colaborou. Ruídos de microfones foram ouvidos até o fim. Além de “Medo”, realmente boa, outros números positivos são “Herói Impune”, em apresentação energética de Victor Maia (de “60! Década de Arromba – Doc. Musical”), e “Noivas do Tempo” (que lembra “Teresinha” de Chico Buarque) maravilhosamente cantada por Estrela Blanco (de “Beatles Num Céu de Diamantes”) em alegoria da vida amorosa do retratado. Além desses pontos, a direção musical de Felipe Habib (o mesmo de “BarbarIdade”) prejudica muito o protagonista: Hugo está com o pior desempenho de sua trajetória de musicais. Cantando em um timbre forçado e desfavorável, é só em seu último solo, “Tudo ou Nada”, que ele consegue fazer uma apresentação agradável de verdade. O ator já fez vários trabalhos elogiáveis, então fica subentendida uma problemática de direcionamento – mais interessado em um conceito de ronco de motores do que em um real desempenho artístico.

Em termos de atuação, Hugo Bonemer é mais desafiado energeticamente e tecnicamente, muitas vezes inserido no contexto circence. São muitas coreografias velozes e aéreas. As cenas mais simbolizam do que aprofundam emoções e sentimentos, com pouco a explorar em diálogos rasos. É positiva sua dobradinha com Victor Maia, um dos maiores destaques da montagem: Victor interpreta o engenheiro que se comunica com Ayrton por um fone durante toda a corrida. Os dois funcionam bem. João Vitor Silva (de “Tempos de Brilhar”) e o menino Lucas Vasconcelos (fruto do “The Voice Kids”), que protagonizam um tempo paralelo da história sobre o gerente de uma loja de material de construção e um aspirante a trombadinha, roubam a cena e conseguem envolver o público – algo em que a trama principal nem sempre é eficaz. Os dois, sim, têm oportunidades de explorar emoções e criar um vínculo afetivo em cena. São responsáveis pelo trabalho mais dramatúrgico do elenco. Há ainda os acrobatas, muito importantes para a proposta cênica, e impecáveis.

Enfim, para evitar maiores decepções, se quiser mesmo ir ao espetáculo (eu também quis), tenha isso em mente: ele pouco conta a história de Ayrton Senna e seu caráter musical é rasteiro. É mais uma versão enfraquecida do “Cirque du Soleil” – sem malabaristas, trapezistas, equilibristas, ilusionistas, palhaços ou tudo que interesse – mas com dramaturgia sobre Ayrton. Spoiler: o poderoso “pã pã pã”, despertador de memórias, só é ouvido explicitamente no final. Se tem uma música que faz lembrar Ayrton é esse tema da vitória criado por Eduardo Souto Neto para a Rede Globo, e ela é totalmente desvalorizada no espetáculo. Outra bola fora. A música é apoteótica como o musical pretende ser, mas não consegue.

Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural e mestrando em Artes da Cena.

(Foto: Caio Gallucci)

Ficha técnica
Texto e composições originais – Claudio Lins e Cristiano Gualda
Direção – Renato Rocha
Elenco: Hugo Bonemer, Victor Maia, João Vitor Silva, Lucas Vasconcelos, Pepê Santos, Will Anderson, Leonardo Senna, Adam Lee, Ivan Vellame, Kiko do Valle, Natasha Jascalevich, Estrela Blanco, Karine Barros, Lana Rhodes, Bruno Carneiro, Douglas Cantudo, Juliano Alvarenga, Marcella Collares, Marcelinton Lima, Olavo Rocha, Laura Braga, João Canedo, Gabriel Demartine e Paula Raia.
Direção Musical – Felipe Habib
Criação Sonora – Daniel Castanheira
Cenografia e Direção de Arte – Gringo Cardia
Figurino – Dudu Bertholini
Coreografia – Lavínia Bizzotto
Desenho de Som – Carlos Esteves
Desenho de Luz – Renato Machado
Produção de Elenco – Marcela Altberg
Direção Técnica de Efeitos de Voo e Rigging Designer – Vincent Schonbrodt
Supervisor de Efeitos de Voo e Rigging Designer – Daniel Araújo
Assessoria de Acrobacia e Coach – Rodolfo Rangel
Assistente de Direção e Diretor Residente – Pedro Rothe
2° Assistente de Direção – Matheus Brito
Assistente de Direção Musical e Preparadora Vocal – Aurora Dias
Assistente de Arranjos e Pianista Condutor – Gustavo Salgado
Assistente de Cenografia – Jackson Tinoco
Assistente de Figurino – Cinthia Kiste
Assistente de Coreografia – Roberta Serrado


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FONTE PESQUISADA

GRANDE PRÊMIO - GP às 10: Musical sobre Ayrton Senna é um horror e feito por quem não conhece o mundo da F1. Disponível em: <http://grandepremio.uol.com.br/f1/noticias/gp-as-10-musical-sobre-ayrton-senna-e-um-horror-e-feito-por-quem-nao-conhece-o-mundo-da-f1>. Acesso em: 17 de novembro 2017.


TORRES, Leonardo. CRÍTICA: AYRTON SENNA – O MUSICAL. Disponível em: <http://teatroemcena.com.br/home/critica-ayrton-senna-o-musical/>. Acesso em: 17 de novembro 2017.

O Show Tem Que Continuar

Wendlinger revela que a morte de Senna quase fez Peter Sauber desistir da F1

POSTED BY: VICKTOR TIGRE 29/04/2014
Portal Race - portalrace.com.br

O ex-piloto ficou comovido com as lágrimas do fundador da Sauber ao saber da morte do tricampeão após o GP de San Marino de 1994.

Em todas as suas dez temporadas, Ayrton Senna marcou história em equipes como a Toleman, Lotus, McLaren e Williams. E também marcou o respeito e admiração nas escuderias rivais dele, especialmente a Sauber. Isso quem garante é o ex-piloto Karl Wendlinger, que estava correndo pelo time de Hinwil na temporada de 1994 e presenciou de perto a morte do tricampeão mundial durante o GP de San Marino.

Wendlinger revelou que Peter Sauber ficou muito abalado após a morte de Ayrton Senna

Wendlinger revelou para a revista alemã ‘Auto Motor und Sport’, que consolou Peter Sauber que ficou muito abalado com ao saber da morte de Senna naquele fatídico GP de San Marino.

“Ainda hoje eu consigo me lembrar de muitos detalhes daquele final de semana. E quando eu falo do acidente de Senna, me lembro das bandeiras amarelas na Tamburello, nós passando ao lado da Williams dele. Ao sair do carro, o engenheiro de pista Tim Wright me disse que Senna estava bem. Quando eu cheguei no parque fechado, um jornalista tinha me dito que um mecânico da Sauber tinha sido atingido por uma moto. Tudo mentira. No circuito fechado, havia muitas pessoas, o pessoal da Ferrari junto com os da Minardi. Quando eu olhei para a pilha de pneus e vi Peter Sauber chorando. Acreditei que fosse o mecânico, mas era o Sauber, e ele me olhou e disse: ‘Senna morreu’”, lembrou.

O ex-piloto revelou que Peter Sauber pensou naquele momento em desistir da Fórmula 1. “Foi um grande choque. Sentei-me com Peter [Sauber] no chão. Ele disse que iria parar e me falou que eu deveria também parar. Então eu fiquei em silêncio. Para mim essa não era a questão. Acidentes e mortos são algo que eram muito cogitados na minha mente naquela época. Mas eu não conseguia organizar a minha mente com aquela sensação de impotência”, declarou.

Apesar das críticas em relação aos carros da Fórmula 1 da temporada de 1994, Wendlinger acredita que os bólidos daquela época não eram perigosos como muitos o disseram. “Ao contrario de muitos dos meus colegas, eu não acredito que os carros de 94 eram realmente perigosos. A Sauber não conduzia com a nova suspensão. Tínhamos ainda a [suspensão] de 1993”, explicou.

Sobre o acidente de Rubens Barrichello e a morte de Roland Ratzenberguer, Wendlinger revelou que o lema após esses acontecimentos ditos para os pilotos era que “o show deve continuar”.

“Os três acidentes, de Barrichello, Ratzenberguer e o de Senna foram incríveis. Eu não poderia me dá com isso direito. Havia muita pressão naquele final de semana. E eu não tinha parado para me preocupar comigo. Frentzen me disse que não era para eu estar nervoso. Então entrei no carro. Antes de começar a corrida do domingo, eu escutei por 15 minutos, diversas pessoas dizendo a frase: ‘o show tem que continuar’”, encerrou.


FONTE PESQUISADA

TIGRE, Vicktor. Wendlinger revela que a morte de Senna quase fez Peter Sauber desistir da F1. Disponível em: <http://portalrace.com.br/wendlinger-revela-que-a-morte-de-senna-quase-fez-peter-sauber-desistir-da-f1/>. Acesso em: 17 de novembro 2017.














quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O QUE REALMENTE MATOU AYRTON SENNA? MÉDICO DA F1 EXPLICA


Dino Altmann, diretor médico do GP do Brasil de Fórmula 1, explica o que aconteceu com Ayrton Senna no dia do acidente que vitimou o maior piloto da história do país.

Uol Esporte - 10/11/2017


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Pose de Astronauta

Inspiração do dia: Astronautas


Era Ayrton Senna um astronauta? Não, era um piloto automobilístico, mas popularizou entre os pilotos a "pose de astronauta" quando segurava da mesma forma que os heróis do espaço seu famoso capacete verde e amarelo.

O astronauta russo Sergei Konstantinovich Krikalev posa com seu capacete

Um astronauta segurando seu capacete perto da bandeira americana

Astronauta futurista simulando estar em outro planeta






Meninos em traje de astronauta



Ayrton Senna também reproduziu pose dos integrantes da Apolo-11, Neil Amstrong e Edwin Aldrin

Neil Armstrong, Michael Collins e Edwin Aldrin: equipe da Apollo-11


Neil Armstrong

 Robert Satcher

Christer Fuglesang

Robert Curbeam

Randolph J. Bresnik

Bernard Anthony Harris Jr  


Ayrton Senna sentado QUASE em posição de lotus: posição em que os astronautas são submetidos ao fazer testes






Blog Senna Vive não é buraco negro mas não deixa passar nada batido!!! kkkkkk ;) 


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Produtores de "Ayrton Senna, O Musical" Confirmam Vetos em Coletiva de Imprensa

A coletiva e apresentação do musical sobre Ayrton Senna a imprensa aconteceu ontem no Teatro Riachuelo, no Centro do Rio de Janeiro. A estreia é nesta sexta feira no mesmo local.

Adriane Galisteu está fora do musical

O musical não tem – nem pretende ter – um viés biográfico. Por isso, temas mais delicados, como os relacionamentos de Senna com Xuxa e Adriane Galisteu, por exemplo, não são retratados.

A FAMÍLIA NÃO QUIS

De acordo com a assessoria do espetáculo, o texto não chega a ser uma biografia linear e por isso os romances de Senna não precisariam ser contados. Porém, nos bastidores sabe-se que a família do piloto, ligada diretamente à produção, não quis que os namoros fizessem parte da história e vetou o nome das duas.

“O problema maior é a Adriane Galisteu. Todo mundo sabe que a família não a tolera e nunca aceitou o namoro e o que veio depois disso”, conta uma fonte ligada ao musical.


FONTES PESQUISADAS

SIQUEIRA, Felipe. Menos biográfico, mais lúdico: musical sobre Senna estreia sexta. Veja trecho. Disponível em: <https://globoesporte.globo.com/motor/globoesporte.globo.com/noticia/menos-biografico-mais-ludico-musical-sobre-senna-estreia-sexta-veja-trecho.ghtml>. Acesso em: 08 de novembro 2017.

EXTRA - FAMÍLIA DE AYRTON SENNA VETA ROMANCES COM ADRIANE GALISTEU E XUXA EM MUSICAL. Disponível em: <https://extra.globo.com/famosos/familia-de-ayrton-senna-veta-romances-com-adriane-galisteu-xuxa-em-musical-21979203.html>. Acesso em: 23 de outubro 2017.

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Essa família do Ayrton Senna é arrogante, prepotente, petulante, insuportável. 

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Musical Ayrton Senna - Caracterização de Alguns Personagens


Ayrton Senna (João Vitor Silva e Hugo Bonemer), aos 20 anos, no começo da carreira e já como piloto da McLaren e ídolo do esporte mundial


Essa é a primeira vez que o tricampeão mundial de Fórmula 1 será representado na ficção


Ayrton Senna em 1982, antes da Fórmula 1

 Ayrton Senna nos anos 90, já como um ídolo nacional e mundial na equipe McLaren


Ayrton Senna (João Vitor Silva) usava um crucifixo ou uma medalha religiosa no começo da juventude


O apelido de infância do piloto era Béco, mas gostava quando o chamavam de Becão

Ayrton Senna (João Vitor Silva) com os pais dona Neyde (Lana Rhodes) e seu Milton (Leonardo Senna)

Seu Milton (Leonardo Senna)



Seu Milton da Silva, conhecido também como Miltão


Dona Neyde (Lana Rhodes)

Dona Neyde Senna, conhecida também como Záza